terça-feira, 30 de julho de 2013

Mano Brown é um intelectual

Mano-Brown-FB1Repetindo: o líder dos Racionais MC’s é um intelectual! Quem afirma isso é o sociólogo Rogério de Souza Silva, que defendeu na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) a tese de doutorado “A Periferia Pede Passagem: Trajetória social e Intelectual de Mano Brown”.
O trabalho acadêmico partiu de uma hipótese que, à primeira vista, soa bastante aceitável: o hip-hop, e particularmente o rap, têm o poder de salvar vidas de jovens nas comunidades pobres brasileiras. Mas o que realmente impacta na tese é o reconhecimento do autor de que os artistas populares representam os novos organizadores da cultura, fazendo emergir a figura do “intelectual periférico”.
Por que e como Mano Brown se transforma em um intelectual é a questão que se propôs a investigar o pesquisador da Unicamp. Ele explica que foi a partir da figura do líder dos Racionais MC’s, como expoente do rap brasileiro, que muitos jovens passaram a reconhecer suas origens, histórias e identidades. Outras lideranças históricas, como Malcom X, Martin Luther King, Zumbi dos Palmares e Nelson Mandela, também inspiraram muitos seguidores do hip-hop. “Esses jovens, na sua maioria negros e pobres, alcançam uma consciência para reivindicar o reconhecimento dos seus direitos”, escreveu.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Spike Lee faz 'vaquinha' na Internet para financiar novo filme

Cineasta norte-americano pede ajuda aos internautas para arrecadar verba de nova produção; mais de 600 pessoas já apoiam o projeto
RTEmagicC Spike Lee txdam142147 d7c6ba.jpgO cineasta Spike Lee começou uma campanha de financiamento para seu próximo projeto, intitulado 'The newest hottest Spike Lee joint'. O norte-americano pede pede US$ 1,25 milhão de verba através de uma plataforma de crowdfunding (financiamento coletivo). Ele tem no currículo longas como 'Faça a Coisa Certa' (1989), 'Malcolm X' (1992) e 'O Plano Perfeito' (2006).
Até o fechamento desta matéria, Lee já havia arrecadado mais de US$ 100 mil, além de reunir mais de 600 apoiadores. Na apresentação do projeto, o diretor então explica que o filme tem a ver com o vício das pessoas em sangue e terá várias cenas de sexo.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Xangô! - por Cidinha da Silva

xango
Eu vi Xangô assentado no pilão, com uma gamela sobre a perna direita, acalentada por sua barriga ao fundo e a mão gorda escorada no joelho, à frente. O corpo pendia para cima da gamela, como se a comida o devorasse. Com o indicador da mão esquerda em riste, ele discursava sobre alguma questão de poder no reino.
 
Era Xangô ou Buda? Era o Buda Nagô!
 
Vez ou outra ele calava e trocava a gamela de lugar, abraçava-a com o braço esquerdo, deixando a mão direita livre para fazer montinhos de amalá que levava à boca gulosa. Ele sorvia barulhentamente a comida pastosa.  Eu observava sua destreza para comer. Fazia-o como adulto, nem um pouquinho de quiabo escorria pelo braço, ou mesmo pela mão.
 
Xangô me olhou, leu meu pensamento e explicou: “Quem come com a mão e faz lambança é criança, sinal de que ainda não aprendeu a ser grande.” Eu encarava minha sina, pois nunca conseguiria comer comida de caldo com as mãos sem vê-la escorrendo pelo braço. Ele zombava da minha ignorância.
 
O Rei dos reis voltava a discursar, agora com o indicador da direita apontado para o Orun, porque precisava dela livre para alternar fala e comida. O equilíbrio do poder no reino era o tema. Eu ouvia com atenção, porque ele se irrita quando nos dispersamos, mas pensava mesmo no poder do quiabo.
 
Dizem que as filhas e filhos de Xangô se parecem com o quiabo, cuja baba se espalha por lugares impensáveis, caminhos que ninguém imagina e dessa forma chegam onde querem. São assim, principalmente na oratória. Inusitados como o pai que faz a prole compreender a natureza do poder enquanto ele come sua comida predileta.
 
Filhas e filhos de Xangô, por sua vez, preferem a metáfora do vulcão em erupção e da lava espraiada por todos os cantos. Gente de Xangô nasce do magma flamejante vindo do interior da terra que depois se espalha, cobrindo larga superfície que nem os olhos podem alcançar.  É também uma gente ruidosa, destruidora, mas fertilizam o solo para o novo, como a lava.
 
Talvez o saber mais recôndito do quiabo seja a flexibilidade para buscar novos caminhos, se não der de um jeito, que seja de outro.
 
Xangô não sabe escrever um nome na areia, esculpe-o na pedra. Seu consolo é saber que a pedra um dia foi água e a natureza das coisas permanece, mesmo quando muda de forma.
 
Por Cidinha da Silva 
Fonte: Geledes

domingo, 2 de junho de 2013

Quilombos lutam para preservar raízes históricas

escola-quilombo-julio amaralOs remanescentes dos antigos quilombos, que hoje ainda vivem no Estado do Rio, estão localizados em pelo menos 15 comunidades conhecidas como quilombolas. Aproximadamente metade delas fica na região litorânea do Estado, como Angra dos Reis e Paraty. As demais estão localizadas no interior, em cidades como Vassouras, Valença, Quatis e Rio Claro.
Quatis e Valença
Após 125 anos da abolição da escravatura no Brasil - ocorrida em 13 de maio de 1888 -, as comunidades dos quilombos de Quatis e Valença ainda tentam preservar as suas origens em diversas ações junto às comunidades quilombolas.

Localizada no km 12 da estrada entre Quatis e São Joaquim - a 144 km da capital -, a comunidade quilombola de Santana recebeu seu nome em razão da Capela Sant'Ana, construída em 1867 pelos antigos escravos que viviam na Fazenda do Barão do Cajuru. Após a morte do Barão, suas terras ficaram para sua filha, que doou um pedaço de terra para cada um de seus ex-escravos após a abolição.

De acordo com Miguel Francisco da Silva, presidente da associação dos remanescentes do quilombo de Santana, tudo começou como um povoado, a partir de 1980. E hoje, 130 pessoas vivem no local, distribuídas em 21 casas divididas em três áreas - Santana de baixo, Santana do meio e Santana de cima.

sábado, 1 de junho de 2013

Grupo teatral de Alfenas apresenta peça sobre escravidão na África

teatro interna
Espetáculo será encenado no Festival de Inverno de Maputo.
‘Cara...vela’ foi baseada no poema Navio Negreiro, de Castro Alves

A história dos escravos africanos trazidos em navios negreiros para o Brasil será recontada pelo grupo Mundo, da cidade de Alfenas (MG) em um festival que acontece na próxima semana na cidade de Maputo, em Moçambique durante o festival de inverno no país.
Esta é a primeira apresentação internacional do grupo, que existe desde 2004 e já percorreu vários Estados brasileiros. Tanto esforço valeu a pena. “Com o tempo o espetáculo foi melhorando, fomos ensaiando e agora temos um trabalho consistente para apresentar na África, é um grande prazer levar o trabalho”, comentou o diretor do espetáculo Anselmo Cesário.
A peça chamada ‘Cara...vela’ é baseada no poema Navio Negreiro, de Castro Alves e o espetáculo destaca a cultura negra. “A peça conta a saga dos escravos que saíram da África e foram traficados para o Brasil nos navios negreiros. Queremos levar ao público o que pensamos, trazer um pouco da cultura dos negros para o Brasil e levar um pouco da nossa cultura para lá”, conta a atriz Patrícia Silva.
Para incrementar, a peça traz também instrumentos africanos, como o cajon e outros que se transformam em objetos, como o pandeiro que dá lugar ao timão, que dá a direção ao navio. Já o pau de chuva transforma-se em luneta. O espetáculo traz também interação com o público e valoriza a literatura brasileira.


Fonte: G1

quinta-feira, 30 de maio de 2013

MONUMENTO NATURAL VALE DOS DINOSSAUROS É REABERTO AO PÚBLICO DEPOIS DE REVITALIZAÇÃO

Localizado no município de Sousa, no Alto Sertão da Paraíba, o Monumento Natural Vale dos Dinossauros acaba de ser reinaugurado. A Unidade de Conservação de Proteção Integral passou por projeto de revitalização – coordenado pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) do governo do estado da Paraíba – que conta com nosso patrocínio.
As obras para a implantação do projeto incluíram intervenções na infraestrutura do Vale, como a reforma do museu, com climatização do local, reestruturação do espaço de exposições, auditório, escritórios e banheiros, urbanização da área externa, com delimitação das vagas de estacionamento, além de calçamento das trilhas e obras de melhorias nas passarelas e mirantes, de acordo com as normas de acessibilidade. Todos os espaços da unidade também receberam placas indicativas.

sábado, 25 de maio de 2013

Lado humano de Evita Perón chega a São Paulo em exposição


O lado humano da ex-primeira dama argentina Eva Perón, um mito que ultrapassou as fronteiras da vida política e social do país vizinho, desembarcou no Brasil com a exposição "Evita: Paixão e Ação", inaugurada na sexta-feira (24), em São Paulo.



Foto: divulgação

"Queremos compartilhar com os brasileiros a força e a ação de Eva", afirmou o ministro de Turismo da Argentina, Enrique Meyer, encarregado de inaugurar a mostra no espaço Ruth Cardoso do Centro Cultural Fiesp.

Evita, que foi esposa do três vezes presidente Juan Domingo Perón e morreu de um câncer aos 33 anos há mais de seis décadas, é um dos personagens da vida pública argentina que se mantém ainda como um ícone dos avanços e conquistas sociais do país.

"A exposição é um testamento vivo de uma das maiores personalidades da história argentina", ressaltou Meyer, no ato que reuniu empresários e diplomatas brasileiros e representantes do governo argentino.

A faceta mais humana da carismática ex-primeira dama poderá ser vista pelos brasileiros até o próximo dia 7 em uma exposição que reúne vestidos, sapatos, acessórios pessoais, fotografias, documentos, artigos doados e frases célebres emolduradas que fazem parte do acervo do Museu Evita de Buenos Aires.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

SÃO PAULO: PÍLULAS DE CULTURA


centroculturalParceria do CCSP com o Instituto Feira Preta promove projeto para o fortalecimento e a difusão das manifestações relacionadas à cultura negra. A partir do mês de maio, o Centro Cultural São Paulo (CCSP) sedia, em conjunto com o Instituto Feira Preta, o projeto Pílulas de Cultura, eventos periódicos com o intuito de promover manifestações artísticas e contemporâneas voltadas à cultura negra. O primeiro encontro acontece no dia 26 de maio, com três eventos: uma roda de conversa, uma intervenção poético-musical e uma apresentação dos Meninos do Barro Vermelho.

A roda de conversa "Passados 125 anos de Abolição e agora o que somos?" faz uma reflexão sobre os 125 anos do fim da escravidão no Brasil e contará com a presença da ex-ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e subsecretária adjunta da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, e da escritora e blogueira Cidinha Silva.

Depois, o rapper Israel Neto (também conhecido como Mano Réu) fará um recital formado por sete poemas e textos de autoria de Israel Neto e dos poetas Solano Trindade e Luis Gama. Os poemas são recitados, performados e acompanhados de instrumentais com colagens de vários sons, efeitos e músicas, refletindo sobre racismo, orgulho, arte e afirmação do povo negro. Por fim, o grupo Meninos do Barro Vermelho faz uma apresentação de dança.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

125 Anos de abolição e eles gritam mais uma vez que o poder é branco!


cultura negra
Por Cidinha da Silva

Um juiz do Maranhão conseguiu suspender na Justiça Federal os editais da FUNARTE/MinC destinados a artistas e produtores culturais negros. O fato é tão surreal que as pessoas duvidam da seriedade da notícia. Não seria trote como a nota de suspensão abrupta do Bolsa-família plantada na mídia?
 
Às vezes tenho medo do país em que vivo. Temo por meus mais-novos. Fico escandalizada com a incúria da branquitude que não dá trégua, não larga o osso, não admite perder milímetros, gotas, milésimos de seus privilégios arraigados.
 
O Brasil real, branco e racista, quando se manifesta é tão virulento que produz certa apoplexia. Ele se organiza à revelia da legislação, da constitucionalidade das ações afirmativas, das decisões do STF e rasteja circularmente pelo assoalho da casa grande. Ele desconsidera tudo e todos em nome dos próprios interesses egoístas, autoritários, desumanos, dos privilégios quase de casta. Ele se regozija em afirmar que se não for do jeito dele e se não for tudo para usufruto dele, não será de mais ninguém.
 

Apêndices de abismos: a lógica demoníaca da autoridade

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Por Clayton Marinho
Obviamente, que iniciarão questionamentos acerca da responsabilidade do Governo do Estado e demais órgãos competentes sobre a violência contra o estudante no movimento contra o aumento da passagem de ônibus, a “Revolta do Busão”. Em meio às exclamações das pessoas que fizeram várias filmagens do evento, uma pergunta que fica em suspenso, e que antecede a responsabilidade governamental, está na forma violenta como pessoas, antes de serem policiais, utilizam-se para abafar o movimento. Muito gritarão aos sete ventos e mais dois oceanos que a Polícia está organizada com psicopatas, indivíduos sem moral, perversos e mentalmente desequilibrados.
Contudo, essa “contingência” que determina a postura dos policiais, apelando para o irracional como resposta ao ato de violência, cega aqueles que se valem dessa noção, transformando-a somente em “aporia”, da verdadeira possibilidade, que está intimamente relacionada com a forma administrada da sociedade. Assim, pode-se perceber que o problema não é uma causa mística, de um rompimento psíquico, que acomete o policial e o faz cometer tamanhas barbaridades, contra estudantes. Pelo contrário, a forma, que nitidamente é representada pela Polícia (e Forças Armadas em geral) é seu caráter hierárquico e repartidor de obrigações. Incrivelmente, seguindo o entendimento de ZygmuntBauman em “Holocausto e Modernidade”, são esses critérios, além de tantos outros, que se constituem como uma ameaça à sociedade, na medida em que não há consciência (ou a necessária) disso, para vigiar.

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